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O grito da rua: a insegurança como bandeira política — cuidado, operadores, não se deixem enganar

  • Foto do escritor: Joao Fotografo Casamento
    Joao Fotografo Casamento
  • 1 de set.
  • 4 min de leitura

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A insegurança pública se tornou hoje a prioridade máxima no sentimento do cidadão brasileiro. Multiplicam-se as estatísticas e as pesquisas que comprovam o fenômeno: a criminalidade já ultrapassa a saúde e a educação como maior preocupação nacional — e isso está transformando o discurso político em uma avalanche de promessas, muitas vezes sem base real.


1. A população clama por segurança — e os números confirmam

  • A pesquisa “What Worries the World” de março de 2025 revela que 43 % dos brasileiros apontam a criminalidade como sua principal preocupação, contra uma média global de 32 % .

  • Em julho, outra edição da mesma série mostra que 40 % continuam citando a criminalidade como maior fonte de preocupação.

  • A Genial/Quaest de abril de 2025 reforça a pauta: 29 % dos entrevistados apontaram a violência como o maior problema do país, contra 26 % anteriormente.

  • A Gazeta do Povo destaca ainda que, em junho, 30 % dos eleitores indicaram a violência como principal preocupação, superando outras questões antes mais dominantes — como saúde, educação e economia —, e observando um salto de 20 pontos percentuais desde 2023.

  • Na esfera local, a CNN Brasil mostra que 55 % das pessoas consideram a segurança o fator mais decisivo sobre o ambiente onde vivem .

2. Oportunismo político à vista

É compreensível que a população esteja exausta. Aumentou a insegurança real, e piorou a sensação de desamparo. Ninguém quer esperar pela solução de um problema tão urgente. Mas, cuidado: muitos agentes políticos enxergaram nisso um filão de votos.

Desde o federal ao municipal, políticos “descobriram” a segurança pública como prioridade justamente quando as eleições de 2026 se aproximam — e peculiares tantos sérios quanto oportunistas entraram no debate. A segurança virou tema de promessa fácil: “mundos e fundos” e soluções quase mágicas, muitas vezes sem conhecimento técnico ou compromisso com operadores de verdade no front.

3. A PEC da Segurança Pública — protagonismo federal em pauta

No Palácio e no Congresso, a pauta foi abraçada com força. A PEC 18/2025, apresentada em abril, está em tramitação com amplo apoio em audiências públicas e na CCJ da Câmara Portal da Câmara dos Deputados+2Serviços e Informações do Brasil+2. Ela tem como principais pontos:

  • Atribuição à União da formulação de política e plano nacional de segurança pública e coordenação do SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) .

  • Expansão da Polícia Federal para investigar organizações criminosas com caráter interestadual ou internacional, além de permitir patrulhamento ostensivo rodoviário/ferroviário federais — com a criação de uma Polícia Viária Federal .

  • Inclusão das guardas municipais como órgãos de segurança pública com poder ostensivo e comunitário (sob controle do Ministério Público)

  • Constitucionalização do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) — com vedação a contingenciamento, trazendo maior estabilidade orçamentária.

  • Criação do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, com participação da sociedade civil.

  • Aprovação na CCJ da Câmara com promessas de integração e financiamento estruturado do SUSP .

  • E, recentemente, ministro Lewandowski destacou que a PEC visa coordenar ações federais com estados, forças nacionais e Judiciário em casos de crime organizado .

4. Olho nos operadores – e no histórico dos oportunistas

São vocês, operadores da segurança pública — policiais, agentes, guardas e demais servidores operacionais — que vivenciam a crise na prática. Vocês merecem respeito, investimento real e políticas alinhadas com o cotidiano, não discursos eleitorais vazios.

Infelizmente, muitos desses agentes políticos que hoje se “entusiasmam” com a pauta já governaram por longos anos — alguns inclusive nas esferas estadual e municipal —, e deixaram a segurança a mercê do crime. A população, cansada, relegou saúde e educação, porque a insegurança ultrapassou todos os alvos — e os investimentos continuam aquém do necessário.

Dados federais ainda não refletem uma retomada, e no caso do Rio de Janeiro, apesar da redução nacional do número de homicídios (22,8 por 100 mil em 2023; ainda alto, mas uma queda), a segurança pública segue deficientemente equipada e financiada — principalmente em áreas periféricas e complexos. Os operadores enfrentam escassez de recursos, tecnologia, pessoal e apoio consistente.

5. Não se deixem enganar — consciência e alinhamento com quem realmente ajuda

  • Desconfie da retórica eleitoral, sobretudo quando falta conhecimento técnico. A insegurança gera votos, e muitos enxergam nisso uma oportunidade fácil.

  • Destaque o legado dos verdadeiros aliados — aqueles que estiveram ao lado dos operadores, mesmo nos períodos difíceis, defendendo soluções estruturais e recorrentes, não apenas palanque temporário.

  • Exija transparência nos investimentos prometidos — especialmente na aplicação dos fundos (FNSP, Funpen) contemplados na PEC; como serão repassados, fiscalizados e realmente entregues nas bases?

  • Apoie partidos e lideranças que valorizem os operadores, que defendam planejamento de longo prazo, treinamento, inteligência e integração entre as forças — não retórica midiática.

Conclusão

A população brasileira está exausta, colocando a segurança em prioridade máxima. Isso provocou uma onda de promessas e decepções. Internamente, quem vive o dia a dia da segurança — vocês, operadores da rua — devem manter a consciência clara, sem se deixar levar por discursos de conveniência.

Identifiquem quem, de fato, contribuiu para o fortalecimento da segurança pública ao longo do tempo. Exijam compromisso real com investimentos e políticas eficazes. Não se deixem enganar por quem abandona a estrutura em tempos difíceis e retorna apenas com a caneta de prometer— desde que votem com consciência e fortaleçam quem realmente faz a diferença.


Autor: João Henrique dos Santos Ribeiro

 
 
 
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